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Dois dos melhores livros de ficção histórica que eu já li:

OS PILARES DA TERRA – KEN FOLLETT

Ken Follett é muito conhecido como autor de best-sellers sobre guerra como O buraco da agulha, O martelo do Éden, O vôo da vespa, Jackdaws etc. Em Os Pilares da Terra, no entanto, ele cria uma história ambientada na Inglaterra da Idade Média, tendo o universo das contruções das grandes catedrais como pano de fundo. Os personagens são ótimos, o enredo é cheio de suspense e reviravoltas. Riquíssimo em detalhes da época, aliados a uma prosa agradável e dinâmica. O livro agrada tanto aos que querem aprender sobre o passado quanto aos que gostam de uma boa história que mescle aventura, suspense e romance.

Em português foi dividido em dois volumes (Editora Rocco). Preço: a partir de R$40,00 cada volume. Para quem lê em inglês, está melhor: o pocket book The Pillars of the Earth (volume único) pode ser achado por menos de R$20,00… Quando é que nossas editoras vão fazer a mesma coisa?

 O livro é de 1989; este ano saiu uma espécie de continuação, World without end, ainda só em capa dura em inglês. Já comprei e não vejo a hora de começar a devorá-lo…

 

O FÍSICO – NOAH GORDON

Também ambientado na Idade Média, conta a história de um órfão que deseja ser médico – e as mil agruras e peripécias para conseguir seu objetivo. O personagem principal é incrivelmente inteligente e teimoso, indo até os confins do mundo, literalmente, para conseguir o que deseja. Com ele viajamos por toda a Europa da época, onde a medicina era terrivelmente atrasada, até chegar ao Oriente (à Pérsia) onde ele estudará com os maiores mestres. Os povos que ele conhece e com os quais convive, os personagens que  o acompanham, o choque entre as culturas cristã, judaica e muçulmana, além dos detalhes incríveis sobre medicina, tornam esse livro imperdível.

Publicado pela Rocco, o infeliz título O Físico recebeu agora um subtítulo: a Epopéia de um médico medieval . O título em inglês é The Phisician, que quer dizer… O médico. Em português pode ser encontrado a partir de R$45,00. Em inglês, o pocket sai a R$20,00.

Há uma espécie de continuação, Xamã (Shaman), tão bom quanto o primeiro livro, que se passa nos Estados Unidos na época da Guerra Civil Americana com um descendente do Médico original. O terceiro livro da “série”, A escolha da Doutora Cole (A matter of choice / Choices), que se passa nos dias atuais, não me agradou.

Será verdade?

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,
Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade…
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

 

 Quanto mais eu vivo, vejo e reflito, mais me parece que a verdade é relativa. Cada um tem a sua, que depende de fatores culturais, educacionais, sociais, emocionais e outros tantos ais. O único problema é achar que se é o dono dela, ou pior, tentar impô-la ao próximo – ou ao distante, se pensarmos em âmbito global.

 

JOGO DA VERDADE (Roseana Murray)

A verdade é um labirinto.

Se digo a verdade inteira,

se digo tudo o que penso,

se digo com todas as letras,

com todos os pingos nos is,

seria um deus-nos-acuda,

entraria um sudoeste

pela janela da sala.

Então eu digo

a verdade possível,

e o resto guardo

a sete chaves

no meu cofre de silêncios.

Hoje vai a dica de alguns livros “interativos”: com pop-ups, texturas, abas, etc.

  • Eram dez girinos, de Debbie Tarbett, pela Ciranda Cultural. Preço por volta de R$30.

História de dez girinos que estão passeando juntos e vão se perdendo pelo caminho. Design muito bem bolado, com os girinos em alto-relevo, que vão desaparecendo um a um a cada página que é virada. Desenhos bem-feitos, texto agradável, com ritmo e suspense, até a surpresa final. De quebra a criança treina contar de trás para a frente, conhece vários animais aquáticos e aprende que fim levam os girinos…

  •  Dinossauros, da coleção Aprenda e brinque comigo , pela Caramelo. Fazem parte da coleção ainda Fazenda, Filhotes e Caminhões. Preço: por volta de R$20.

Os dinossauros podem ser retirados e recolocados nas páginas. As figuras têm ainda diferentes texturas representando a pele dos bichos. As informações são básicas, mas para crianças mais novas é mais que suficiente. O material é de boa qualidade e agüenta bem a manipulação.

  • Livros de levantar abas: Coleção “Esconde-esconde”, da CMS Editora; Série “Que bicho é”, da TodoLivro. Preço: por volta de R$10.

  

Existem inúmeros livrinhos desse tipo, sempre com a intenção de despertar a curiosidade da criança. Esses dois acima são bem-feitos – o Oceano traz vários seres e objetos encontrados no fundo do mar, o Na floresta brinca com os sons que os animais fazem.  Detalhe: esses são relativamente baratos, mas não duram muito, principalmente se a criança tiver menos de dois anos. Mas vale tudo para desenvolver o gosto pela leitura…

Eu sou Boris. Assim, mesmo, sem acento. Um Boris russo, escandinavo. Mas só no nome.

Um dia encontrei Doris – assim, idem, ibidem. Doris me derrotou. Fez de mim gato, sapato, me chamou de gaveta e de lagartixa. E saiu rebolando o assento que ela tinha.

O mal foi – segundo ela – o assento que eu não tinha. Sempre no vento, sempre ao relento, reles, relegado, fazendo plano, só de fundo. Doris queria assento, queria acento. Que eu me assentasse, que acentuasse uma qualidade qualquer nela que eu, pobre de língua, não consegui definir.

Mas se acento ela não tinha, não era eu que iria pôr. Cada um que seja responsável pelo seu – encontrá-lo, colocá-lo em evidência, registrá-lo em cartório se for o caso.

Doris se foi, gritando aos quatro ventos que a culpa era minha. Vai, Doris, vai. Quem sabe algum francês com dois acentos te compense. Que eu vou é procurar uma inglesa.

(Brincadeirinha lingüística que eu fiz há muito tempo – acho um pouco hermético, mas me diverte.)

Livros para ler e brincar: Coleção Amigos da Selva – quatro livros diferentes, cada um com um bicho como estrela da história: elefantinha, jacaré, leão e girafa.

Cada livro vem com três quebra-cabeças e um bicho de papelão para (o papai) montar. A partir de 2 anos e meio, se a criança já brinca com quebra-cabeças mais simples – esses têm 18 peças.

As ilustrações são fofíssimas, as histórias fantasiosas e politicamente corretas, mas sem serem chatas. Tratam de temas como amizade e boas maneiras.

Os quebra-cabeças são de muito boa qualidade. Preço: R$34,00

 

 

Dicas de bons livros infantis II

A dica de hoje é a coleção “Que bicho será”, de Angelo Machado, pela Melhoramentos.

Há pouco texto, muito ritmo e um pouco de rima, o que torna os livros adequados tanto para os pequenos que não sabem ler quanto para os que começam a ler por conta própria. As ilustrações fogem ao convencional, mas agradam às crianças. As histórias também são inovadoras e aguçam a curiosidade. Preço: a partir de R$16.

Um dos mais divertidos é o “Que bicho será que fez o buraco”, mas os outros são igualmente bons:

  184103/8520907679/184103  184106/8520907644/184106
 Há ainda “Que bicho será que botou o ovo” e “Será mesmo que é bicho?”

Personal dog

Tudo começou com o Personal Trainer. Tudo bem, Treinador Pessoal, vá lá.

Só que temos que lembrar (pasmem!) que “personal” é “pessoal” e “trainer” é “treinador” – parece óbvio? Mas veja só apenas dois exemplos das aberrações que andam aparecendo:

  1. Personal dog – acho que a intenção foi definir um profissional que treinará seu cachorro, mas a tradução literal é “Cachorro pessoal”. O que será um cachorro pessoal? Socorro…
  2. Personal paquera – esse está nos destaques do UOL de hoje. Paquera pessoal… haverá outro tipo de paquera? Se queriam um “treinador de paquera”, não conseguiram.

Outro erro de tradução que ouvi hoje numa reprise do Friends: a personagem diz que gostaria de um vestido decotado, mas que ao mesmo tempo fosse “classy”. Traduziram “classy” por “clássico”, quando o melhor seria “que tivesse classe”.

Sinais dos tempos

Às vezes tenho a impressão de que as coisas continuam as mesmas, só mudam de nome, mas algumas realmente parecem estar passando por transformações mais profundas.

Por exemplo, quando eu era mais nova, até, digamos, há uns 10 ou 15 anos, para você conseguir um emprego, era de “bom tom” que o conseguisse por suas próprias pernas, seja por sua qualificação, inteligência ou até mesmo sorte na hora de chutar as questões de um concurso. Só quem não tinha essa “capacidade” é que tinha que se valer do tal “QI – Quem Indica”. Era considerado uma vergonha ter um emprego arranjado por alguém, ter que lançar mão de um “pistolão”.

Hoje, se o processo não mudou, a percepção dele com certeza sim. Faz parte da sua “empregabilidade” ter uma boa rede de contatos. Ter “Quem Indica” agora não é uma vergonha, mas uma necessidade, algo normal. Aqueles qualificados, capazes, mas que por timidez ou pruridos reminiscentes da década de 80, não conseguem cultivar a tal rede, muitas vezes perdem ótimas oportunidades. Sem falar da quantidade de puxa-sacos para quem temos que sorrir e com quem temos que concordar se não quisermos cair nas desgraças do chefe, que os considera seus braços-direitos.

Essa mudança toda ainda me parece muito recente para emitir sobre ela um juízo de valor – é ruim? ou é apenas sinal dos tempos?

Em todo caso, aqui vou eu reclamando, que é o que me resta fazer enquanto decido se me adapto ou se me adapto.

Apropriada para esse momento a Oração da Serenidade e uma versão engraçadinha que, como muitas, atribuíram ao Luís Fernando Veríssimo, mas  não sei se realmente é dele.

ORAÇÃO DA SERENIDADE
 DEUS, conceda-me a serenidade necessária,
para aceitar as coisas que eu não posso modificar,
coragem para modificar aquelas que eu posso,
e sabedoria para reconhecer a diferença.
 

Oração dos Estressados

 

Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não
posso mudar, a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem  me enchendo o saco.

Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.

Mensagem de Fim de Ano

Ah, o final do ano…
Festas, presentes, amigos secretos…
(Acho que esqueci alguém…) 
Comemorações, alegrias, exageros…
(Deixa o regime pra depois do ano novo…)
Encerramentos, transições, novos começos…
(Em 2008, eu prometo… eu vou conseguir!)
Parece tudo igual,
todos os anos a mesma coisa… 
É sempre o mesmo
FELIZ NATAL
PRÓSPERO ANO NOVO! 
O mesmo chester na mesa,
(Que delícia!)  
O mesmo perfume no pacote,
(Como é bom ganhar presente!) 
Os mesmos fogos na praia,
(Que lindo! Olha aquele!) 
O mesmo abraço à meia-noite,
(Também te desejo tudo de bom!)
A mesma esperança renascida. 
E é por essa esperança,
que se renova a cada ano,
Que eu te desejo o de sempre: 
Um Natal cheio de alegrias,
paz, todas as bênçãos, 
Um 2008 pleno de boas realizações,
sucesso e harmonia. 

   

Ou isto ou não aquilo

Visto ou não a camisa

Vendo ou não a minha alma

Traio ou não o meu passado

Creio ou não nesse futuro

Esqueço ou não a tradição

Embarco ou não na realidade

Sujo ou não as minhas mãos

Ser

Ou não

Eis sempre a questão

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