Sinais dos tempos
Janeiro 11, 2008 de Eloise
Às vezes tenho a impressão de que as coisas continuam as mesmas, só mudam de nome, mas algumas realmente parecem estar passando por transformações mais profundas.
Por exemplo, quando eu era mais nova, até, digamos, há uns 10 ou 15 anos, para você conseguir um emprego, era de “bom tom” que o conseguisse por suas próprias pernas, seja por sua qualificação, inteligência ou até mesmo sorte na hora de chutar as questões de um concurso. Só quem não tinha essa “capacidade” é que tinha que se valer do tal “QI - Quem Indica”. Era considerado uma vergonha ter um emprego arranjado por alguém, ter que lançar mão de um “pistolão”.
Hoje, se o processo não mudou, a percepção dele com certeza sim. Faz parte da sua “empregabilidade” ter uma boa rede de contatos. Ter “Quem Indica” agora não é uma vergonha, mas uma necessidade, algo normal. Aqueles qualificados, capazes, mas que por timidez ou pruridos reminiscentes da década de 80, não conseguem cultivar a tal rede, muitas vezes perdem ótimas oportunidades. Sem falar da quantidade de puxa-sacos para quem temos que sorrir e com quem temos que concordar se não quisermos cair nas desgraças do chefe, que os considera seus braços-direitos.
Essa mudança toda ainda me parece muito recente para emitir sobre ela um juízo de valor - é ruim? ou é apenas sinal dos tempos?
Em todo caso, aqui vou eu reclamando, que é o que me resta fazer enquanto decido se me adapto ou se me adapto.
Apropriada para esse momento a Oração da Serenidade e uma versão engraçadinha que, como muitas, atribuíram ao Luís Fernando Veríssimo, mas não sei se realmente é dele.
posso mudar, a coragem para mudar as coisas que não posso aceitar e a sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas que eu tive que matar por estarem me enchendo o saco.
Também, me ajude a ser cuidadoso com os calos em que piso hoje, pois eles podem estar conectados aos sacos que terei que puxar amanhã.